Talvez
na próxima vez que você ou alguém me pergunte a idade que tenho, responda
nenhuma ou todas. Não estou conseguindo relacionar a minha idade cronológica
com o tempo que já vivi. Não tem lógica isso! O tempo que já vivi, já se foi.
Passou. Esse tempo não me pertence mais. Não é meu.
Minha idade talvez seja exatamente o tempo que eu tenho para sonhar,
planejar, criar. O tempo do "para sempre", tendo a plena convicção de
que o "para sempre" é agora.
Não tenho 41 anos, talvez 2, 20, 50. Tenho os anos que me restam para
falar "eu te amo", "me desculpa", "me ensine",
"me perdoa". Reconheço, às vezes causa-me apreensão a prisão que
certas pessoas vivem em relação a sua idade física, quase que como um martírio.
A minha idade é o tempo que virá, carregado de crescimento e experiência,
o tempo que me dará tempo de ser absolutamente eu mesma e mesmo assim, me
aceitar, aspirando ao crescimento. Tenho o tempo da sabedoria para viver, o
tempo movido pela paixão ao trabalho, às pessoas e a todos os seus
estranhamentos e defeitos.
Decidi, comemorarei o meu
aniversário ao contrário, esse ano completo um ano de vida, vida que posso
viver. Terei a idade do tempo que ainda posso esperançar, buscar,
agir, ser, almejar, agradecer.
O que o espelho me mostra não
representará mais a minha idade e as minhas "linhas de expressão"
serão a prova de um tempo que passou e me tornou mulher. Meus sinais do tempo
serão outros, guardados e sugados da memória quando necessário.
Os meus amigos, minha família, todas aquelas
pessoas a que sou grata, meus projetos acumulados nesse período de tempo que já
vivi, me servirão como "matéria paga" na faculdade da vida, que me
deixaram ensinamentos e lições. Por eles, estou aqui. Para eles, sigo adiante.
Por mim, reconheço que a vida começa exatamente de onde a gente permite e
aceita.
Um
feliz aniversário de um novo tempo a todos!