quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

ESSA IDADE NÃO É MINHA


        Talvez na próxima vez que você ou alguém me pergunte a idade que tenho, responda nenhuma ou todas. Não estou conseguindo relacionar a minha idade cronológica com o tempo que já vivi. Não tem lógica isso! O tempo que já vivi, já se foi. Passou. Esse tempo não me pertence mais. Não é meu.

         Minha idade talvez seja exatamente o tempo que eu tenho para sonhar, planejar, criar. O tempo do "para sempre", tendo a plena convicção de que o "para sempre" é agora.

         Não tenho 41 anos, talvez 2, 20, 50. Tenho os anos que me restam para falar "eu te amo", "me desculpa", "me ensine", "me perdoa". Reconheço, às vezes causa-me apreensão a prisão que certas pessoas vivem em relação a sua idade física, quase que como um martírio. 

       A minha idade é o tempo que virá, carregado de crescimento e experiência, o tempo que me dará tempo de ser absolutamente eu mesma e mesmo assim, me aceitar, aspirando ao crescimento. Tenho o tempo da sabedoria para viver, o tempo movido pela paixão ao trabalho, às pessoas e a todos os seus estranhamentos e defeitos.

        Decidi, comemorarei o meu aniversário ao contrário, esse ano completo um ano de vida, vida que posso viver. Terei a idade do tempo que ainda posso esperançar, buscar, agir, ser, almejar, agradecer.

        O que o espelho me mostra não representará mais a minha idade e as minhas "linhas de expressão" serão a prova de um tempo que passou e me tornou mulher. Meus sinais do tempo serão outros, guardados e sugados da memória quando necessário.

         Os meus amigos, minha família, todas aquelas pessoas a que sou grata, meus projetos acumulados nesse período de tempo que já vivi, me servirão como "matéria paga" na faculdade da vida, que me deixaram ensinamentos e lições. Por eles, estou aqui. Para eles, sigo adiante. Por mim, reconheço que a vida começa exatamente de onde a gente permite e aceita.

        Um feliz aniversário de um novo tempo a todos!

        

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Filosofia do café



Engraçado como o café agrega. Além de ser uma das bebidas mais saborosas do planeta, ele ainda trás junto, um monte de chances.

Quase sempre o cafezinho é testemunha de traições, injustiças, descobertas, amores, mentiras, amizades, criações, confissões... cada gole regado de troca humana. Falamos com mais vontade, quando o café é companhia na mesa. Perdemos a hora, rimos mais, passamos por todos os assuntos num piscar de olhos, com o pretinho do lado.

Pra quem ri ou chora o café sempre é um ótimo companheiro, nunca falha. Para mim, representa muito mais, representa um irmão, daqueles que a gente sente falta e sofre com a ausência. E se for forte, aí que a dependência é bem mais sofrida!

Vou confessar, vez ou outra, quando a paciência está no limite, a cabeça não mantém aquele raciocínio tão lógico assim e o saco quase cheio, fujo e me escondo em algum lugar, falo a frase mágica: "um cafezinho, por favor!", e recarrego as minhas forças, tomando café pelas veias até. Volto à vida dos simples mortais renovada.

Fiz amizade, ouvi segredos, falei dos meus, tive muitos dos meus melhores momentos acompanhados de um cafezinho. Gosto do cheiro, da fumacinha subindo quando ele é servido, da borrinha na xícara, gosto quando ele é o motivo para um encontro.

Há sempre tempo para um café com os amigos na minha vida... Falando nisso: aceita um cafezinho?