segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Que violência é essa?



"Meu Deus, você viu o rapaz que foi assassinado?"

"A criança estava na calçada de casa e foi acertada com dois tiros! "

"Foi reagir ao assalto e levou 30 facadas!"

Já ouviram frases assim? Já falou algo parecido? Já se revoltaram? Então bem vindos, somos todos reféns da mesma sociedade. Somos nós os escolhidos para servir de alvos de um sistema falido e absolutamente fragilizado. Eu, você, o advogado, empresário, padre, modelo, prostituta, político, filhinho de papai e drogado, todos nós, vítimas das mesmas balas perdidas nessa floresta de dor.

Segundo os dados mais atualizados do portal www.mapadaviolencia.org.br, numa comparação de um mapa da violência de 1998 com um de 2011, resultam num brutal incremento dos homicídios a partir dos 14 anos: as taxas pulam de 9,2 homicídios por 100 mil para 69,3 na idade de 21 anos. A partir dessa idade, tem um progressivo declínio. São taxas de homicídio, nessa faixa jovem, que nem países em conflito armado conseguem alcançar.

Somos nós. Nossos vizinhos, conhecidos, parentes, filhos. A morte como uma banalidade. Um assalto, um "acerto de contas", uma briga de escola, uma provocação, um preconceito, não importa, a vida é só um detalhe mesmo!

Não, a vida não é apenas um detalhe, eu não aceito isso! A minha, a dos meus filhos, da minha família, dos meus amigos, a sua vida é rara e necessária, ninguém tem o direito de tirá-la.

Já fui assaltada, já tive o cano de um revolver na minha cabeça, me lembro do hálito do infeliz me alertando: "Dona, a senhora deu bobeira!" Dei bobeira por entrar em casa? Dei bobeira por desligar o carro e não sair correndo desesperada para fechar o portão? Dou bobeira por acreditar que posso dirigir, andar na rua, ir a um restaurante à noite, comprar pão na padaria, ir a uma farmácia? Não, o nome disso não é "bobeira", o nome disso é direito de viver e eu exijo o meu.

Mataram um rapaz de 28 anos por nada. O nome dele era Chicão. Era um artista. Um dia tatuou um sol em mim. Tinha planos, muitos, para a sua vida. Pois é menino Chicão, eu também tenho muitos planos e vou continuar a tê-los, não desistirei de nada. Por todos, por você.





segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Whatsapp: o escravizador


E cadê o “dar tempo ao tempo”? Quem falou que eu tenho obrigação de responder a um whatsapp seu instantaneamente? E se por um acaso visualizei a sua mensagem, onde está a regra determinando a minha obrigação de resposta imediata? Você sabe se eu posso? Se eu quero?

Pois bem, independente de qual momento da era tecnológica e virtual nós nos encontramos, não me cabe mais a paciência e compreensão de certas “obrigações virtuais”.

Essa ânsia desesperada, essa falta de privacidade, essas loucuras do imediato me cansam e me irritam, considero uma verdadeira falta de respeito, ou melhor, uma perda de tempo, do nosso valioso e poderoso tempo.

Grupo da família, do trabalho, dos colegas da faculdade, do condomínio, dos pais dos amigos, do bairro, do vendedor de TV por assinatura, dos amigos do jardim de infância, dos clientes da padaria... chega!

Queridos, eu preciso trabalhar, cuidar da casa, pagar as contas, me alimentar, dirigir, namorar, servir de motorista para os filhos, ir ao banheiro, dormir, coisas normais que pessoas normais fazem (pelo menos eu acho!).

Entendam bem, não estou aqui crucificando a inovação e utilidade dessa ferramenta verdinha nas nossas vidas, longe de mim, estou apenas informando que eu preciso viver além dela, simples assim.

Adoro ver fotos atualizadas daquelas pessoas que eu amo e nunca mais vi, receber piadas e vídeos engraçados, “conversar” com amigos distantes, adoro! Quando tenho tempo.

Aos queridos amigos e grupos, que me enviam mensagens a cada milésimo de segundo, que, por mais que eu carregue o celular diversas vezes ao dia, a bateria dura exatos 6 minutos, deixo aqui um aviso: amo todos vocês, mas não se preocupem comigo, ou pensem que eu morri quando eu não responder uma mensagem assim que a receber. Acreditem, em algum momento a lerei e caso seja interessante ou importante, a responderei o mais breve possível.

Agora vamos deixar uma coisa combinada, só entre nós dois ok? Se for uma urgência, e você estiver mesmo precisando falar comigo, me ligue, use daquele “dispositivo de telecomunicações desenhado para transmitir sons por meio de sinais elétricos nas vias telefônicas” (Wikipédia), desenvolvido por um maluco chamado Alexandre Graham Bell, tenho certeza que a probabilidade de eu atender a sua ligação é bem maior.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

DESPERSONALIZANDO




   Hoje, não se admite a diferença. Somos bonecos, moldados na mesma fôrma. A política da neurose da igualdade nos torna menores, tímidos. Aquilo que eu sou, eu sou. Mas eu não sou você, nunca serei. As nossas criações, atitudes, interações, palavras, ações, são só nossas. Só minha. Só sua. Chega de tanta despersonalização!

   A minha roupa, o meu cabelo, a minha voz, a minha letra, é diferente da sua, somos diferentes e isso é óbvio e especial. Assim como é claro também que podemos nos unir nessas diferenças e deixar tudo menos discriminatório e estúpido.

   O padrão de beleza, a definição de riqueza, de sucesso vão se construindo na proporção em que se coloca amor e empenho na família, no amor, no trabalho, nas amizades, nos sonhos, na profissão, na construção da nossa marca.

  Podemos estar mortos agora, vivos. Respirando e mortos. Cheios de chances, escolhas e opções (mesmo que carregados de sofrimentos inevitáveis e reais), e mortos.

   O conformismo de fazer exatamente a mesma coisa que o outro está fazendo não é bonito. O eu me sentir bem é o fundamental e o que vai me deixar feliz na construção (com respeito) da minha essência. O fazer é primordial, o exemplo, a dignidade, não o que aparenta ser.

    Precisamos marcar o mundo, cada um de nós, diferentes e únicos. Ainda há tempo!


terça-feira, 4 de novembro de 2014

O dia para começar


E se for pesado, deixe
E se for escuro, ascenda 
E se for amargo, adoce
E se der vontade, chore 
E se acordar, agradeça

E se doer, cure
E se tiver preso, solte
E se tiver demais, desapegue
E se valer a pena, faça

E se tiver como ir, vá.
O dia para começar, realizar e ser é exatamente esse, hoje.