quarta-feira, 22 de outubro de 2014

E SE O ELEVADOR QUEBRAR...

Eu lembro que ouvi o alarme, mas o ignorei, pensando que era sonho (ou forçando ser). Nesse intervalo de tempo, que parecia ter durado exatos 3 minutos, perdi a hora e me atrasei mais de trinta. “Infeliz do alarme com som de pássaros!”

Como já não havia tempo reserva para uma checada no insta,Twitter e no jornal impresso antes de sair de casa, já me emputeci com a certeza de não saber de nada do que acontecia no mundo e na minha cidade, desde ontem a noite.

Café preto, pão com manteiga (gelada!) e um copo d'água com um poli vitamínico para espetar, saio de casa apressada, tentando lembrar a letra de uma música de Vander Lee que fala de “rever a vida, a luta e valores...”.

Conforme passei do tempo estabelecido pelo centro da cidade, que determina se você estacionará a cinco metros ou a um quilometro do seu destino, parei o carro umas seis quadras depois do meu trabalho. "Tudo bem, faço um exerciciozinho", pensei tentando ser positiva.

Já suada, cabelo parecendo que estava numa cozinha fritando coxinha, chego ao trabalho.
“Bom dia!”, desejo ao recepcionista, que me da um sorriso no canto da boca, esboçando nenhuma vontade de ser simpático ou de retribuir.

Para o meu mais intenso encantamento pela vida, a moça do cafezinho grita lá de perto da escada: "O elevador está quebrado! Uma pessoa já ficou presa hoje cedo!

Tudo bem, subo os 86 degraus contando um por um, abrindo e fechando as mãos, naquela fisioterapia básica para circulação, sabe?

Quase sem respirar, chego. “Obrigada Deus, por me mostrar tão discretamente que estou gorda, impaciente e me testar, estimulando o meu crescimento espiritual”, penso.

Planilha, agenda, uns duzentos e-mails para responder, imprimir, digitar, arquivar.... “Vai dar tudo certo, o dia está apenas começando, a vida é bela”, repetia como um mantra.

Consegui vencer o expediente com maestria, uma adulta fiel à perseverança e com linda postura profissional. Nada pendente, maravilha!

Me despeço da turma, solto uma piada com a colega que está namorando virtualmente e ainda não conhece o futuro noivo e vou.

Já dentro do elevador (que por sorte minha estava no meu andar!), aperto o P e suspiro um suspiro de alívio.

Depois de aproximadamente uns três segundos da porta do elevador fechar, um susto. Um forte barulho e um movimento brusco (será que a minha coluna encolheu??? ), faz o elevador parar.

O elevador estava quebrado, tinham me dito! Como posso ser tão absurdamente burra a esse ponto?

Desisto. Aperto o alarme, sento no chão do elevador, pego a serrinha de unha na bolsa (quase não a acho, sem energia!) e vou dar uma geral nas unhas, com o esmalte já descascado.

“Aguarde um pouquinho que a gente já chamou o técnico, viu? Tenha paciência que você sai já daí”, grita a mesma moça do cafezinho.

“Tem problema não, estou sem pressa, o pior já passou!”, passava na minha cabeça, coberta com aquele cabelo de fritar coxinha.



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