Eu lembro que ouvi o alarme,
mas o ignorei, pensando que era sonho (ou forçando ser). Nesse intervalo de
tempo, que parecia ter durado exatos 3 minutos, perdi a hora e me atrasei mais
de trinta. “Infeliz do alarme com som de pássaros!”
Como já não havia tempo
reserva para uma checada no insta,Twitter e no jornal impresso antes de sair de
casa, já me emputeci com a certeza de não saber de nada do que acontecia no
mundo e na minha cidade, desde ontem a noite.
Café preto, pão com manteiga
(gelada!) e um copo d'água com um poli vitamínico para espetar, saio de casa
apressada, tentando lembrar a letra de uma música de Vander Lee que fala de
“rever a vida, a luta e valores...”.
Conforme passei do tempo
estabelecido pelo centro da cidade, que determina se você estacionará a cinco
metros ou a um quilometro do seu destino, parei o carro umas seis quadras depois
do meu trabalho. "Tudo bem, faço um exerciciozinho", pensei tentando
ser positiva.
Já suada, cabelo parecendo
que estava numa cozinha fritando coxinha, chego ao trabalho.
“Bom dia!”, desejo ao
recepcionista, que me da um sorriso no canto da boca, esboçando nenhuma vontade
de ser simpático ou de retribuir.
Para o meu mais intenso
encantamento pela vida, a moça do cafezinho grita lá de perto da escada: "O elevador está quebrado! Uma pessoa já
ficou presa hoje cedo!
Tudo bem, subo os 86 degraus
contando um por um, abrindo e fechando as mãos, naquela fisioterapia básica
para circulação, sabe?
Quase sem respirar, chego. “Obrigada
Deus, por me mostrar tão discretamente que estou gorda, impaciente e me testar,
estimulando o meu crescimento espiritual”, penso.
Planilha, agenda, uns
duzentos e-mails para responder, imprimir, digitar, arquivar.... “Vai dar tudo
certo, o dia está apenas começando, a vida é bela”, repetia como um mantra.
Consegui vencer o expediente
com maestria, uma adulta fiel à perseverança e com linda postura profissional.
Nada pendente, maravilha!
Me despeço da turma, solto
uma piada com a colega que está namorando virtualmente e ainda não conhece o
futuro noivo e vou.
Já dentro do elevador (que
por sorte minha estava no meu andar!), aperto o P e suspiro um suspiro de
alívio.
Depois de aproximadamente
uns três segundos da porta do elevador fechar, um susto. Um forte barulho e um
movimento brusco (será que a minha coluna encolheu??? ), faz o elevador parar.
O elevador estava quebrado,
tinham me dito! Como posso ser tão absurdamente burra a esse ponto?
Desisto. Aperto o alarme,
sento no chão do elevador, pego a serrinha de unha na bolsa (quase não a acho,
sem energia!) e vou dar uma geral nas unhas, com o esmalte já descascado.
“Aguarde um pouquinho que a
gente já chamou o técnico, viu? Tenha paciência que você sai já daí”, grita a
mesma moça do cafezinho.
“Tem problema não, estou sem
pressa, o pior já passou!”, passava na minha cabeça, coberta com aquele cabelo de
fritar coxinha.
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